Presença é Poder

Como você constrói seu poder pessoal? Quais recursos você incluiria? Resiliência, confiança, ousadia, criatividade…? E se “presença” fosse o elemento catalizador de outras habilidades e capacidades? A professora de Harvard e autora do livro “Presence”, Amy Cuddy,  revelou diversas pesquisas em que a questão da presença estimulou mais foco e produtividade, permitindo levar a diversas manifestações de poder pessoal. Apresento aqui o resultado de alguns poderes pontuais.

Experimentos mostram que se sentir no presente, com poderosos recursos pessoais, faz com que criemos uma carcaça contra julgamentos negativos, rejeições, stress e até dor física.

Proteção Física

Dana CarneyDana Carney fez um experimento sobre como a presença e poder pessoal ajudam a responder ao stress. E o elemento de referência foi a dor física. Os estudantes iriam colocar a mão num balde de água gelada e poderiam retirar a mão quando bem quisessem. As pessoas que se sentiam mais poderosas resistiram por, em média, 45 segundos a mais do que as pessoas que se sentiram com menos poder (praticamente o dobro do tempo). Elas também mostraram menos sinais não-verbais de dor (expressões faciais, tremiliques etc). Isso porque se sentir mais poderoso teve o efeito de sentir menos dor.

Proteção Emocional

Os estudantes deveriam se imaginar numa posição hierárquica dentro de uma empresa, interpretando o papel de um chefe ou de um empregado. Depois eles imaginaram que não foram convidados para um happy hour (para estimular o stress da rejeição). O colega de trabalho que não chamou para o happy hour também trabalha na empresa e tem três opções de status: nível hierárquico mais baixo (subordinado), par, ou gestor (nível hierárquico maior).

Depois foi pedido para os estudantes “rejeitados” dar uma nota para suas emoções e sua auto-estima. Resultado: quanto mais poderoso o estudante se sente em comparação com aquele que não fez o convite do happy hour, menor é a emoção negativa e maior sua auto-estima. Ou seja, se um subordinado ou um par o “rejeitou”, menor é o impacto da emoção negativa.

Dica: Valorize-se e coloque seu status pessoal em perspectiva com outras pessoas, afinal você é o CEO da empresa “você”. Outra dica valiosa para se sentir com mais poder: aja como se fosse o anfitrião da festa, não um convidado.

Poder de conexão e empatia

empatia-02-840x440Pesquisa recente da revista Você S/A revelou que o atributo mais valioso nas organizações atualmente é a empatia – a capacidade de se colocar no lugar do outro e enxergar sob a perspectiva do outro (atenção: empatia é diferente de simpatia).

O resultado do estudo revelou que quanto maior o poder pessoal, maior é sua empatia e sua capacidade de leitura corporal e linguagem não verbal. Após o grupo ser exposto a palavras fortalecedoras (controle, liderança…) e outro exposto a palavras enfraquecedoras (obediência, sobrevivência, subordinação…), os estudantes tiveram que interagir em atividades filmadas.

Ao analisarem os vídeos, os estudantes deveriam descrever o que os outros estavam pensando e o grupo poderoso apresentou resultados mais precisos, mostrando serem capazes de realizarem leitura corporal com mais acurácia e precisão.

Outro experimento semelhante foi feito em uma empresa: funcionários fizeram uma redação sobre (1) um período em que exerceram poder sobre outras pessoas, (2) sobre um período em que outras pessoas exerceram poder sobre elas, ou (3) o que fizeram no dia anterior.

Depois, foram expostas 24 fotos com expressões de felicidade, tristeza, raiva ou medo (4 das microexpressões faciais elaboradas por Paul Ekman) e tiveram que falar sobre quais expressões estavam sendo exibidas. Resultado: pessoas mais poderosas acertaram mais as emoções.

Em outra pesquisa feita em empresas com gerentes, aqueles que se sentiram mais poderosos lidavam com “funcionários-problema” de forma mais persuasiva, com abordagem de coaching, enquanto gerentes que se sentiram menos poderosos lidavam com a situação de forma coerciva e punitiva, inclusive com ameaças de demissão. Além disso, gerentes com menos poder tendem a julgar mais os outros em vez de olhar a situação de forma mais objetiva (buscando evidências) e atuam mais na defensiva (lógico, porque entendem interações como ameaça).

Resultado: quem tem mais poder pessoal age com mais colaboração e enxergam oportunidades de “construir pontes” em vez de achar que cada interação social é um ataque contra ele (lembra do “efeito holofote”?) e constroem muros em torno deles. Pessoas com poder pessoal buscam soluções em vez de alimentar o problema e buscar culpados.

Poder pode liberar nosso pensamento e outras habilidades

pamela-smith-speaking-960Enquanto a falta de poder mina as funções cognitivas do cérebro, o poder aumenta essa área permitindo tomar decisões melhores sob condições complexas. Pamela Smith realizou estudos que mostram que poder permitem processar informações de forma abstrata, integrando informações, identificando padrões e relações. O poder pessoal nos torna independentes e ousados e quando somos menos suscetíveis a pressões e expectativas externas, nos tornamos mais criativos.

O poder pessoal também nos torna congruentes, sincroniza nossas emoções à linguagem não-verbal. Quando falamos de felicidade, estamos sorrindo ao nos sentir poderosos, na prática, nos tornam mais abertos e sinceros. Em contra partida, a falta de poder pessoal nos torna menos sinceros, não com o intuito de enganar, mas é melhor nos misturar e agradar aos outros quando não temos poder.

Dana Carney, professora de Berkeley, fez um experimento similar perguntando aos universitários sobre experiências prévias de liderança. Depois do questionário, foram atribuídos papéis para um outro experimento, que foram qualificados com mais ou menos poder (gestor ou subordinado). Os estudantes acreditavam que os papéis eram distribuídos de acordo com o resultado do questionário, mas na verdade foram distribuídos de forma aleatória. Resultado: estudantes que receberam papéis de mais poder se comportaram como tal e foram mais bem avaliados pelos colegas. Fica a dica: aja como se tivesse o recurso poderoso desejado e perceba como seu comportamento muda. Ou como disse nosso diplomata e escritor Guimarães Rosa: “tudo se finge primeiro e germina autêntico depois”.

Poder pessoal leva à ação

Num estudo para avaliar a proatividade das pessoas, foi colocado um ventilador numa sala de espera de um médico orientado, propositalmente, para o rosto das pessoas. Os pesquisadores queriam perceber a atitude das cobaias: se levantam e mudam a direção do ventilador, se mudam de lugar ou se não fazem nada e tentam ignorar o vento. Resultado: 69% dos estudantes poderosos desligaram o ventilador ou mudaram a direção do vento. Apenas 42% dos menos poderosos fizeram o mesmo. Na ausência de poder, pessoas com poucos recursos internos precisam de permissão de alguém com autoridade para agir.

Em outro estudo, numa competição de debates, os estudantes receberam os seguintes conselhos de sua equipe: vá primeiro e determine o enquadramento e tom do debate; vá em segundo e conheça os argumentos do adversário que você vai desconstruir. Os estudantes com poder pessoal estimulados tiveram 4 vezes mais propensão a ir em primeiro. Ou seja, sentir poder pessoal lhe dá liberdade de decidir, agir.

Este foi um artigo rico de exemplos comprovados cientificamente com os benefícios de estimular seu poder pessoal. Caso você tenha mais interesse em conhecer técnicas e estratégias, me mande um email: [email protected] para que eu te passe detalhes do meu treinamento digital Personal Soft Power.

Forte abraço,

Ronaldo

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