Constelação é a nova PNL

Quem conhece Constelações Familiares e Programação Neurolinguística (PNL) pode ficar irritado com o título deste artigo. Mas meu objetivo não é comparar conteúdos e abordagens, mas o interesse do público por esta tecnologia.

Na minha primeira formação em PNL (practitioner), das quase 50 pessoas na turma apenas duas eram aspirantes a coach. E eu não era uma delas… Nas minhas mais recentes turmas em que eu ministrei aula de PNL, 80% das turmas eram coaches em tempo integral ou dividiam a atuação com outra profissão. Ou seja, a PNL cresceu muito no interesse do público em geral e dos coaches em particular. Percebo um movimento semelhante atualmente com relação às constelações.

Nos grupos de coaching que participo e monitoro, percebo o crescente interesse dos coaches sobre o que é e como funciona esta ferramenta criada pelo alemão Bert Hellinger.

Mas afinal, o que é Constelação Familiar?

É um método que busca externalizar a representação mental das pessoas, a forma como ela enxerga (internamente) as dinâmicas da sua família (o principal sistema do indivíduo). Na prática, a pessoa herda muito mais do que a genética de seus pais, ela assimila padrões de comportamento e crenças que observa, desde criança, que de alguma forma vai “aprendendo” que aquela é a forma correta de relacionamento.

Os problemas na vida das pessoas se dão pelos emaranhados, uma espécie de nó, que é necessário desatar para permitir que a vida da pessoa flua tranquilamente. Esses emaranhados surgem normalmente pela identificação do cliente com algum ancestral “excluído” ou marginalizado no sistema familiar. Esse “DNA comportamental” é transmitido por gerações da família, normalmente algum sofrimento emocional, uma espécie de ferida que precisa ser cicatrizada para não passar para gerações futuras.

Uma das semelhanças das Constelações com a PNL é: consciência é remédio. Quando estamos cientes de como um comportamento funciona, quais são os gatilhos e respostas que eram impulsivas, temos a chance de mudar. O próprio Hellinger afirma que o problema do sistema reside no que está oculto; uma vez revelado, surge a chance de mudar e resolver seus problemas.

Como funciona?

Bert Hellinger observou comportamentos comuns no sistema familiar dos clientes, por isso ele diz que apenas trabalha o que observa. Este é um princípio da fenomenologia – se trabalha o que é revelado. Outra semelhança das Constelações com a PNL é o conceito de “mapa mental” e “representação interna”. Quando é montada a constelação, aquilo que o cliente representava dentro da mente dele se torna visível e externo aos seus olhos. Curioso que este processo não deixa de ser um processo de revelação e clareza de algo “escondido”; afinal, nem todos têm clareza de sua representação interna. Em PNL também há grandes insights quando a pessoa percebe a estrutura de seu pensamento, como funcionam seus filtros mentais e como inconscientemente percebia o mundo. Sim, percebia, porque não dá para des-ver algo revelado.

Neste processo fenomenológico, onde ficam claras as dinâmicas de relacionamento dentro da família, Bert Hellinger evoluiu o trabalho das constelações com a utilização dos “campos morfogenéticos”, formulada pelo biólogo britânico Rupert Sheldrake, apoiando-se em conceitos da Física Quântica. No estágio atual, as constelações se encontram no “movimento dos espíritos” ou no movimento “medial”, onde há pouca informação do cliente e muita representação do campo. Por isso que para os não-iniciados, uma sessão de constelações parece com uma sessão espírita…

Entretanto, há regras para este amor ser revelado. Sim, Hellinger acredita que somente o amor cura e este sentimento deve ser honrado. Por isto há orientações sobre as “Ordens do Amor”, que são as regras que regem a constelação: o pertencimento, a hierarquia e o equilíbrio entre o dar e receber (quando fiz a formação com Gabriel Velasco, um mexicano, ele chamou a atenção para o erro de tradução desta ordem e faz sentido: as vítimas esperam receber, a solução está em tomar o que lhe pertence).

Toda Constelação é Familiar?

Não. As constelações exploram o sistema familiar porque é o primeiro sistema do indivíduo, mas pode tratar diversas questões, desde saúde à prosperidade; desde uma promoção profissional a consulta sobre que caminho seguir numa decisão, consultando o campo como se fosse um oráculo. O objetivo das constelações é trabalhar o sistema, seja familiar, organizacional ou até mesmo individual. Há médicos consteladores que trabalham doenças representando órgãos do corpo humano; afinal, eles interagem entre si. Outra perspectiva é a constelação estrutural, onde é possível representar crenças, metas, criatividade etc.

Este artigo buscou explicar um pouco sobre esta tecnologia do processo de desenvolvimento humano, que tem atraído cada vez mais o interesse de coaches e pessoas querendo resolver questões aparentemente kármicas.

De fato, Constelações Familiares e PNL têm um laço bem próximo, numa intersecção chamada “Panorama Social”. Este vira tema para um próximo artigo…

Forte abraço,

Ronaldo

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